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O grito d'alma
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No grito d'alma as palavras não querem calar... elas afogam, pletoram e, se não libertas, matam
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26.4.06
CERTO SENTIDO
Hoje, ontem, há alguns dias já, estado de espírito tão estranho. Tudo contemplo eu. Meu silêncio, essa inação, esse olhar sereno para um cotidiano silencioso mas, não sei como explicar, aconchegante. É como se pudesse chamar tudo isso de fé - não de esperança de algo a acontecer para depois, mas a certeza do já que a gente vive no agora. Não sei se compreenderia tantas palavras se as lesse e não simplesmente as sentisse. Mas se em uma praia tranqüila, em amanhecer de verão, ao som distante da alegria que fazem as crianças nos ensinando a viver, já sentiu você aquela brisa que acalanta, então creio que, em alguma medida, sabe do que estou falando.
O Filósofo anotou às 02:50.
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20.4.06
não faz não
O Filósofo anotou às 09:30.
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19.4.06
As pessoas adoram um bom draminha
O Filósofo anotou às 17:57.
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E não são as tantas músicas ecológicas?
Das quais o que ficará após avalanche das águas e fogo do tempo chegado?
O Filósofo anotou às 17:56.
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Eco-Romantismo
Todos aqueles textos
Frases tecnicamente intercaladas por assombroso acaso
Bobagens vis, do melhor tipo, magníficas
A poesia como estandarte da humanidade
Para se gozar enquanto se lê
E jogar fora
O Filósofo anotou às 17:54.
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17.4.06
É preciso não entender tudo errado sobre o sentir. As novelas pobres, cotidianas, cuidam de manter a todos medíocres pregando algo cafona, dolorido, cancerígeno, que não é sentir. Nada de cara metade, de completar-se em quem quer que seja. Sentir implica em prescindir das fortes emoções e milongas tangueiras de tragédia doente. Sentir começa por coisas simples, qual ventinho no dedão do pé. Assim, centrado, torna-se algo tão poderoso e angelical.
O Filósofo anotou às 13:04.
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Imagine se, de repente, toda a sua fé te falasse com certo grau de violência:
- Ou você banca aquilo que acredita ou eu acabo com o seu apêndice!
Aconteceu.
Engraçado como às vezes tudo o que a gente precisa para crer é uma porrada bem dada (por exemplo, na barriga, na altura do apêndice). Diante de tão irresistível argumento, acreditei piamente em tudo o que eu sempre cri. Então, aquela dor chatinha, tão rápido quanto apareceu, sumiu.
O Filósofo anotou às 12:44.
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Fase. Palavra engraçada essa.
O Filósofo anotou às 12:37.
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13.4.06
Abri a geladeira e voou um pires imitação-barata-de-santa-marina e se espatifou em pedaços pequenos, médios e maiores que médios no chão quadriculado de minha cozinha (flying saurces?). Logo atrás, qual rubinho desiludido, seguiu-o certa meia-laranja que faria as caras de drink em meu guaraná diet. Assim é a vida. Se a gente abre a geladeira errada...
O Filósofo anotou às 13:43.
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... porque vontade dá, e muita, de editar certas passagens...
O Filósofo anotou às 13:37.
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A gente pode ser tantos e tantas.
Hoje, só hoje, quem sabe até só agora, eu trocaria a arte toda que aflora por aquela carta, telefonema, notícia, caminho.
O Filósofo anotou às 13:36.
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12.4.06
Em um dia especial, o Dia Internacional do Ursinho Fofinho, colocarei a foto ou desenho do ursinho mais fofinho que eu encontrar, aqui por estas páginas. Então, logo abaixo, relembrando aquelas redações "Minhas férias", por meio das quais minhas professoras na infância estimulavam minha criatividade literária, eu escreverei sobre o bicho.
Revolucionário.
O Filósofo anotou às 10:47.
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Não escrever costumeiramente coisas do tipo "ah, é isso mesmo" alivia. Não dá para imaginar muitos jeitos de encher slides de powerpoint em que caibam, ao mesmo tempo, meus textos e ursinhos fofinhos.
O Filósofo anotou às 10:43.
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O melhor jeito de ser tio é de longe, ainda mais com tantas lojas de brinquedo tão pertinho, tão disponíveis. Deu vontade, a gente chega, tipo fast food.
O Filósofo anotou às 10:37.
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Ah, é bonito tudo isso, isso de ver beleza nas coisas desse seu cotidiano que a gente assiste, mesmo que enrolado como convém à humanidade. Ah, como quando a gente ama, depreza com amor, e as rotinas fazem a bela parte do cotidiano da eternidade.
O Filósofo anotou às 10:35.
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10.4.06
e o dia vai amanhecer mais um
O Filósofo anotou às 16:12.
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8.4.06
esse amor que me transborda pouco contagia, mas liga
O Filósofo anotou às 04:29.
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quero crer na brisa fresca que refresca
chama-se delícia a profissão de fé do espírito puro
O Filósofo anotou às 04:26.
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Das escolhas
e já que cremos
qualquer que intransponível a nós
nos derruba
mas já que cremos
qualquer que parecesse instranponível
seria qualquer
O Filósofo anotou às 04:24.
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Carta ao povo
vá
siga
se não fosse você
ser preferido de Deus
grande não seria
tua prova
O Filósofo anotou às 04:04.
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7.4.06
Não é aqui! Explicações ficam na seção de auto-ajuda, bem mais que nos dicionários. Aqui, a coragem quase rara de sentir.
O Filósofo anotou às 04:15.
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mas, então, que ego é esse tal de eu que nos afasta de tantas evidências daquele sublime que vitimizados de nós mesmos nos recusamos a admitir que sim?
O Filósofo anotou às 04:13.
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nuances aclodem de matizes de luz
lá, em toda a parte, na mais ignorada folha que quase te roça
quadros nunca pintados por nossos tão sem tempo mestres da pintura
O Filósofo anotou às 04:11.
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cheirar é dos prazeres mais puros e, todavia, dos mais deprezados
quem cheirou bem a fundo a mais recente manhã me entende bem
O Filósofo anotou às 04:08.
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sorvete é poesia
O Filósofo anotou às 04:06.
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troco aquela vontade de tempo e departamentalizações por poesia
O Filósofo anotou às 04:05.
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sem que me assentisse a lembrança, sigo, intuitivo
com os passos, sinto a terra fofa e quente e na pele as carícias sazonais
pensar, não penso em nada, e o pensamento que me pensa fica ao léu
sem nortes ou prederminações, sigo direções honestas do momento
não minto nem dissimulo ou calculo se minto ou dissimulo
comigo, plenitude estranha: assim sou sol
O Filósofo anotou às 04:04.
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4.4.06
leia de novo
sentindo
O Filósofo anotou às 12:53.
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O universo espera
Isso é tempo
Nada pára e tudo espera
O Filósofo anotou às 12:52.
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vem cá
sente um pouco
tomemos café
amizade é caminhar um pouco no tempo
e o que traz de eterno é amor
por isso a gente se vê
depois
O Filósofo anotou às 12:49.
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amor? tem certeza? mas quem tá falando? cadê você?
O Filósofo anotou às 12:47.
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caminhos infinitos
setas sutis são maioria
setas há que espetam e doem e matam indicam seus caminhos
caminhos infinitos
setas para errar por caminhos
setas [sempre] para chegar
O Filósofo anotou às 12:46.
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das pateticidades humanas, as tantas paixões
intermináveis músicas e versos sobre suposto amor que apega
chama-se "sentir as dores"
as dores, ora, as dores
as dores só indicam erros da errância
(as vítimas também são erros...)
o sentir mesmo, que é inevitável, vem só ao final, simples que é
e poderia ser chamado simplesmente de paz
O Filósofo anotou às 12:41.
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as gentes se apegam às coisas e às gentes
medo de sentir entrementes
O Filósofo anotou às 12:33.
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disseram que o anjo-diabo cansou, parou, sentou na escada
O Filósofo anotou às 12:26.
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eternamente
tem um pouco de tudo na entidade eu
e vice-versa
eu - coisa de ego
vaidade, ciúme, ansiedade
dentre tantos degraus
O Filósofo anotou às 12:26.
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o tempo é o período necessário para perceber-se
depois disso vem a eternidade
O Filósofo anotou às 12:19.
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as coisas têm um tempo próprio
o tempo é próprio e está em você
daquelas coisas que sempre se sabe mas reparar não se repara
O Filósofo anotou às 12:18.
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1.4.06
E a verborraria dá saudades do silente silêncio. E durante o vácuo, tantas possibilidades nos vêm à mente.
O Filósofo anotou às 20:47.
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Por isso, fins de mundo a fio, estou aqui. E aprendi com Sartre a te amar em mim. E peixes, e taturanas, e tsunamis, e tobogãs, e os tantos amores e desamores. Tudo em mim, tão do mundo que estão.
O Filósofo anotou às 20:46.
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Os tsunamis também ensinaram que até peixes podem ser perigosos. Eles com aqueles olhos esbugalhados e aquelas bocas insuspeitas a fazer "glub"... "glub". Sobre taturanas e scargots ainda aprendi bem pouco. Falando dos últimos, vendo-os vivos e gosmentos, melhor sabê-los temperados, com seu gosto estranho. Creiam!
O Filósofo anotou às 20:44.
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Tanta coisa que se aprende.
O Filósofo anotou às 20:35.
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Sim. Lá tinha uma coisa. Aprendi, com a Bebê, a gostar de latinhas.
O Filósofo anotou às 20:34.
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Sei o que é cair de um prédio em segurança e aprendi isso numa dessas vezes em que acabou o mundo. Conheço o percurso dos peixes que devolvo ao tsunami quando atiro os bichos dos oito andares da minha janela.
O Filósofo anotou às 20:19.
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Quando o mundo acabou em 2000, por alguma razão eu ainda consegui viajar quase dois meses depois. Fui para o Ceará fugir de mim e das responsabilidades de me olhar de frente nos olhos de outrem. Fui. Lá tinha um parque com um tobogã gigante, que segundo diziam, equivalia a uma queda de treze andares. Morri por lá também e aprendi, lá de baixo, como é ressussitar, quando a gente já imagina tudo perdido. Eita lição importante...
O Filósofo anotou às 20:17.
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Quando o mundo acabou no ano 2000, foi no dia 5 de maio, às 5 da tarde. Na verdade, foi das 17 às 2 da matina do dia 6, aproximadamente. Foi no alinhamento de todos os planetas do sistema solar. Cheguei a ler que acabou mesmo e o que vemos agora é um holograma, no melhor estilo "Matrix". Adoro esses sites de conspirações do fim do mundo, que sempre me elevam a moral.
O Filósofo anotou às 20:14.
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Ninguém me contou o que fazer com esses peixes esquisitíssimos trazidos pelo fundo do mar, que ficaram saltitantes pelo chão do meu apartamento, para o delírio dos gatos. Já recheei o freezer com eles e ainda restam milhares! E não adianta jogar pela janela que o mar traz de volta, todos indiferentes aos oito andares de queda livre.
O Filósofo anotou às 20:11.
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Dia 23 era o último dia do fim do mundo. O próximo é em 2012, eu acho. Se bem que entre março e abril, fontes secretas me contaram, também acaba. De novo, é apenas um finzinho, sem "f" maiúsculo; só fim. E assim, vamos vivendo.
O Filósofo anotou às 20:08.
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Dia 23 era o dia do fim do mundo. Não fim... aquele fim com letra maiúscula, o "fim" que é nome próprio. Era para ser um finzinho só, alguns cataclismos, pilhas de gente morta, tsunamizinhos aqui-acolá... coisa simples. E era tão verdade que estamos todos aí para contar a história.
O Filósofo anotou às 20:05.
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Dia 23 era o dia do fim de mundo. Não contaram para ela. Acabou. E então ela ficou assim, assim, reclamando...
O Filósofo anotou às 20:03.
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