O grito d'alma
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No grito d'alma as palavras não querem calar... elas afogam, pletoram e, se não libertas, matam

8.8.06
Das coisas que aprendemos sobre o amor

O que chamamos de amor é coisa de alma. É como se algo lá dentro, intuitivamente, te ajudasse a ver e a identificar seus pares, sua "família espiritual". Sim, sim, o amor, o verdadeiro, o tal, não cobra nada e quando algo cobra, não é o amor, mas o que nos limita, nos torna ainda pequenos - nossos medos, inseguranças e outras formas de maldade que resumimos na palavra "paixão". Não por acaso, vários tipos de "amor-família" são dados como exemplos de amor puro: amor de mãe pelos filhos, amor entre irmãos - quando é o caso, note-se bem, pois que o amor não se limita a convenções sociais tais como "ter que" amar filho, "ter que" amar irmão. Mas, se acontece, é bom exemplo. É amor que nada cobra, e é amor puro por isso mesmo, ora pois.
Tantas vezes, gostamos tanto, tanto, tanto de pessoas, com um amor grandioso, maravilhoso, enorme, magnânimo e, além de tudo isso, sabemos que é amor real e puro que sentimos, do que temos certeza, podemos jurar e testemunhamos aquele calorzinho que sobe do peito que nos é convicção de que não vivemos simplesmente um fenômeno psicológico - aquelas armadilhas infames que tantas vezes nos apronta a nossa mente.
E, tantas vezes, nesse caso, se tratamos de possível candidato-candidata de "amor-casal", simplesmente não identificamos o projeto de casal nos olhos daquela pessoa: é amor que sentimos, sem dúvida, do puro, do magnânimo, mas não é "amor-casal". Como eu costumo dizer, e que depois virou meio que domínio público devido a filminho que rolou por aí, "não toca sininho".
Esse tal de "amor-casal" tem um projeto. Essa intuição que une as partes até que a vida os separe (mas que se é, é eterno, por não ser a possessiva coisa de possuir, mas a bem mais possessiva, essa "do bem", coisa de soltar), essa intuição dá o tom, certa certeza sem qualquer fundamento, mas que sobe do peito, que é dali, daquela relação, com aquela pessoa, que coisas verdadeiras podem acontecer. E a verdade, oras, a verdade, é o que dá certo, que não dói, que não causa tédio, que alegra, que tudo de bom, como se convencionou dizer - mais até que "tocar sininho", até porque o sininho mesmo costuma tocar pouco. Isso tudo aí eu sabia bem, já tinha aprendido com algumas moças-sininho, em verdade, bem três delas e foi só tão tanto tudo isso.
A novidade para mim foi algo que parecia ser só da paixão, só do que tinha de doentio o amor. O "amor-casal", esse amor que carrega consigo um projeto de uma vida comungada de algum modo, que é projeção sartreana no outro do que temos de melhor e que, assim, diferente da paixão doente, vira inspiração e crescimento, traz também um querer ficar muito forte, um essencial querer estar perto, como que uma mensagem da natureza, do nosso "lado bicho", qual recado biológico dos hormônios que nos fazem cheirar bem para o vigor sexual, qual certeza intuitiva de que, sim, aquele é um bom parceiro para a proliferação da espécie. Apenas que esse olhar, esse gostar de estar perto e fazer coisas junto nos perseguirá eternidade adentro, não como as obrigações do mito do amor monogâmico eterno, mas na constituição daquela família espiritual de pessoas que se amam pelas veredas da luz.
E se há amor, menina, mas esse querer estar perto não está perto, que fazer senão viver, momento a momento, dia após dia, amor após amor?


O Filósofo anotou às 13:17.
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1.8.06
nós
nossos nós
arejam
carinham
libertam
nossos nós
nós


O Filósofo anotou às 00:11.
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O Filósofo anotou às 00:01.
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